quarta-feira, 28 de outubro de 2009

o circulo vicioso dos juros e como o consumidor se aproveita disso

não é a toa que os bancos adoram o brasil para investir e não é a toa que é aqui que eles batem recordes de faturamento.
muito se dá pela política do Banco Central em deixar que o mercado regule seus próprios preços, ou seja, as próprias instituições financeiras determinam qual será a taxa de juros aplicada pelo banco, sem limitação estatal.
até o ano de 2003 a Constituição Federal do Brasil, no art. 192, par. 3º, regulava a taxa de juros aplicada aos contratos, não podendo passar de 12% ao ano, porém, como tudo no Brasil é decidido por interesse pessoal, tal limitação fora expurgada da CF por força do Lobby feito pelos bancos junto ao nosso Congresso Nacional.

No entanto, há uma certa ironia no sistema de crédito brasileiro que passo a explicar.

em razão das taxas de juros aplicadas, os advogados enxergaram um novo nicho: as revisionais de juros bancários, com fundamento na discrepância de taxas entre o valor pago pelo banco quando pega empréstimo (spread) e pela taxa aplicada quando concede o valor ao consumidor.

hoje já se sabe que tais ações nunca são favoráveis aos consumidores, porém, devido a quantidade de dinheiro que fica "engessado" em contas judiciais durante a discussão (que pode levar anos, conforme sabemos) e que as intituições não podem retirar até o final da ação, os bancos passaram a adotar outra estratégia: a de fazer acordos.

os acordos são oferecidos durante o processo e geralmente são MUITO vantajosos aos consumidores, pois as instituições praticamente cobram o valor financiado, sem nenhuma aplicação dos juros. isto significa que pode-se obter a quitação do financiamento pelo valor que se solicitou financiamento.

por exemplo, se a pessoa solicitou R$ 10.000,00 para o banco, muito provavelmente pagará de volta para ele, mais ou menos, R$ 25.000,00. caso a pessoa entre com a revisional, poderá efetuar acordo OFERECIDO PELO PRÓPRIO BANCO para quitar o financiamento pelos mesmos R$ 10.000,00.

conclusão: o mercado consumidor é um circulo vicioso que se auto-regula. o governo não limita as taxas de juros aplicadas pelo mercado - o mercado aplica juros abusivos ao consumidor - o consumidor não tem condições de pagar e ajuiza ação revisional contra os juros - o banco fica sem receber e faz acordo para receber o valor histórico emprestado - o consumidor faz o acordo e quita sua dívida pelo valor original.

parece ironia não? as próprias instituições financeiras provocam seus próprios prejuízos ao aplicar taxa de juros que sabem serem abusivas.

é óbvio que os bancos não perdem dinheiro em momento algum, pois o número de ações é menor do que os consumidores que pagam corretamente seus compromissos. além de que a diferença de juros pagos pelo banco à seus credores é infinitamente menor do que o cobrado dos consumidores, o que traz muito lucro aos banqueiros.

posto aqui o endereço do Banco Central, que tem diverso links bem úteis aos consumidores. vão desde os juros aplicados por cada banco, até uma calculadora para saber quanto de juros se irá pagar em cada operação. dêm uma olhada.

http://www.bcb.gov.br/pre/portalcidadao/index.asp?idpai=PORTALBCB

abraço a todos.

3 comentários:

  1. Parabéns companheiro (sem ironia!)
    Belo post. E tópico interessante.

    Mesmo que algumas pessoas tenham encontrado uma maneira de não pagar pelos juros abusivos que os bancos cobram, o banco continua saindo no lucro.
    Mas vamos lá. Se você pegou o empréstimo, criou essa dívida, é justo depois você alegar que não pode pagar?

    Ta, eu sei. Os juros são abusivos, estamos sendo roubados, e sem o financiamento é difícil adquirir novos bens ou até mesmo estudar devido à baixa e renda e altos valores cobrados.
    Mas um erro justifica o outro?

    p.s.: não estou expressando a minha opinião. Apenas tentando criar um pequeno debate.

    ResponderExcluir
  2. analisando friamente não seria justo, porém, este tipo de situação possui algumas variações que legitimariam as ações.
    quer um caso pontual? tenho um cliente que era gerente de produção de uma empresa que produz chicotes elétricos autmotivos e ganhava R$ 4.500,00 por mês.
    o cara comprou um vectra 2000 e estava pagando R$ 800,00 por mês de finan. veio a crise e o cara perdeu o emprego. o que fazer? bater na porta do banco e explicar não adianta...
    o que ocorre é que várias pessoas de índole "flexível" digamos assim, se utilizam destas ações para tirar vantagem.

    ResponderExcluir
  3. O caminho que eu veria seria vender o carro e quitar a dívida....
    Sei que o juro é abusivo, porém o financiamento está lá para quem quizer pegar e assinou o contrato para isto, mas também entendo que nessas horas de aperto recorrer é um oportunidade de tentar pagar a dívida da maneira que for possível...
    Mas o problema volta a cultura do Brasil, que sempre tem o brasileirinhos que querem levar a vantagem e serem OS CARAS..

    ResponderExcluir